No próximo domingo, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Um dia que, infelizmente, está longe de ser um dia de comemoração. Mas sim uma data de denúncia, indignação e de compromisso real com a vida das mulheres brasileiras.
Afinal, enfrentamos todos os dias uma realidade dolorosa: a violência contra a mulher segue sendo uma das expressões mais brutais das desigualdades de gênero no Brasil.
Dados divulgados nesta semana revelam que o Brasil teve 6.904 vítimas de feminicídio — consumados e tentados — em 2025, um crescimento de 34 % em relação ao ano anterior, com quase seis mulheres mortas por dia no país. Esse número supera em 38,8 % os registros oficiais do governo, apontando para a profundidade da subnotificação e a urgência de políticas públicas eficazes para prevenção, proteção e responsabilização.
Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem/UEL), que traz também o perfil das vítimas e dos agressores.
Esses números representam vidas interrompidas, famílias devastadas e uma sociedade que ainda falha em impedir que mulheres sejam mortas por serem mulheres.
Epidemia de crimes sexuais
Também é alto o número de estupros e crimes sexuais cometidos contra meninas e mulheres. Não à toa, novos casos estão nos noticiários todos os dias, causando indignação.
Entre os dois mais recentes e de maior repercussão podemos citar o homem de 35 anos absolvido pelo TJMG após estuprar uma menina de 12 anos. Sentença que só foi revertida após uma forte comoção e pressão social e que ainda terminou com um desfecho inesperado: o magistrado envolvido no caso acabou acusado e agora também é investigado por cometer crimes sexuais. O que explica sua postura complacente com esse tipo de crime.
Dias depois, outro caso estarrecedor veio à tona: o estupro coletivo de uma menina de 17 anos por quatro homens e um adolescente, em Copacabana. A Justiça recebeu a denúncia e levou mais de 20 dias para decretar a prisão dos acusados, já identificados.
Dois episódios que não são “casos isolados”, mas evidenciam um padrão de violência de gênero ainda enraizado em nossa sociedade, que envolve não só agressões físicas, mas também banalização, revitimização e até brechas institucionais que dificultam a proteção plena de meninas e mulheres.
Portanto, neste 8 de março, é preciso relembrar que:
– A violência contra a mulher é estrutural e precisa ser enfrentada com políticas públicas eficazes, inclusive na prevenção, no atendimento integral às vítimas e na responsabilização de agressores;
– A subnotificação dos casos representa vidas que não são contadas, famílias que não são reconhecidas, e uma urgência de romper o silêncio e a omissão;
– Não pode haver festa sem segurança e sem justiça: celebrar o Dia da Mulher com flores e presentes só é legítimo quando garantimos que elas possam viver livres de medo, violência e discriminação.
Participe dos atos
Por tudo isso, o Sindicato convoca todos e todas para dois atos que acontecem na região neste final de semana.
O primeiro será sábado (7), a partir das 9h, na Praça do Sapo, em São José dos Campos, com o tema “A Voz da Mulher – Do Luto à Luta!”.
Vamos juntos protestar e lutar pelos direitos das mulheres, promoção da igualdade de gênero e pela construção de uma sociedade em que toda mulher possa viver com dignidade, respeito e segurança.
Depois, no domingo (8), o MML (Movimento Mulheres em Luta) convoca todas e todos para uma manifestação na Feira do Colonial, na zona sul de São José dos Campos, a partir das 8h30.
Chega de violência!
Abaixo o feminicídio!
Pelo endurecimento das leis contra os agressores!
Parem de nos matar!

