No próximo sábado, 8 de março, mulheres trabalhadoras de todo o mundo estarão mobilizadas para denunciar a violência, a opressão e as desigualdades impostas pelo machismo e pelo capitalismo. Afinal, razões para tomar as ruas e ir à luta não faltam.
Na nossa região, o ato será na Praça do Sapo, em São José dos Campos, a partir das 9h. O STPMJ estará presente e convida todos os servidores a participarem também.
Vamos às ruas denunciar os ataques aos nossos direitos e exigir políticas concretas para enfrentar a violência, a exploração e a desigualdade.
Somente com organização e luta será possível construir uma sociedade socialista, livre de opressão e exploração.
Violência
No Brasil, a epidemia de feminicídios e diversos tipos de violência, a superexploração e os ataques aos direitos reprodutivos compõem a realidade das trabalhadoras.
Dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o país registrou 78.395 casos de estupro em 2024, uma média de nove ocorrências por hora. Desses casos, a maioria, 67.820 casos, teve mulheres como vítimas.
Além disso, 1.400 feminicídios foram registrados no último ano, com aumentos expressivos em estados como Roraima, Piauí e Maranhão. Os números são ainda maiores, já que São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas e Roraima não enviaram dados de dezembro de 2024.
O serviço do governo federal “Ligue 180”, voltado para o recebimento de denúncias de violência contra as mulheres, também registrou um aumento de notificações. Foram registradas 132 mil denúncias.
A violência psicológica também foi predominante, totalizando 101.007 casos. Em segundo lugar são as violências físicas (78.651); patrimonial (19.095); sexual (10.203), violência moral (9.180) e cárcere privado (3.027).
Escala 6×1
Mas a luta das mulheres não se limita ao combate à violência. A superexploração, a discriminação e a precarização do trabalho também tem gênero e raça. São as mulheres que trabalham mais, ganham menos e estão nos piores postos de trabalho ou desempregadas, sendo as mulheres negras a base desta pirâmide social.
Este ano, um dos embates mais importantes da classe trabalhadora tem relação direta com as mulheres: a luta contra a escala 6×1.
Essa jornada de trabalho desumana imposta por muitas empresas atinge em cheio as trabalhadoras, que enfrentam a dupla ou tripla jornada ao chegarem em casa, já que o machismo impõe às mulheres a responsabilidade pelo cuidado dos filhos, da casa e da família. As jornadas exaustivas da escala 6×1 significam ainda mais sobrecarga para as trabalhadoras.
Criança não é mãe!
Outro aspecto da situação de violências impostas às mulheres são os ataques aos direitos reprodutivos. Setores da extrema direita tentam retroceder nos poucos avanços conquistados, como o direito ao aborto legal em casos de estupro, risco de vida para a gestante ou anencefalia fetal. Vimos recentemente vários casos de crianças e mulheres que recorreram ao aborto legal sendo perseguidas e criminalizadas, em muitos casos sem conseguir esse direito.
O Brasil já é um dos países mais restritivos do mundo nesse direito básico de saúde reprodutiva, e novas ofensivas para criminalizar totalmente o aborto tramitam no Congresso.
Uma afronta à dignidade e à autonomia das mulheres que só serve para fortalecer os setores de ultradireita que, vale lembrar, tentaram aplicar um golpe no país e defendem abertamente o fim das liberdades democráticas.
Por tudo isso, participe do ato e ajude fortalecer essa luta!
- Basta de feminicídio e violência machista!
- Abaixo a escala 6×1!
- Em defesa do aborto legal! Criança não é mãe!
- Não ao arcabouço fiscal! Mais investimentos na proteção e defesa das mulheres!
- Em defesa das mulheres palestinas, ucranianas, argentinas e de todo o mundo!
Fonte: com informações de CSP-Conlutas