O dia 28 de abril marca o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e, no Brasil, também o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho — uma data de reflexão, denúncia e mobilização.
Mais do que uma homenagem, a data é um chamado urgente à ação diante de números que seguem alarmantes.
No mundo, a realidade é devastadora: cerca de 2,93 milhões de trabalhadores morrem todos os anos por causas relacionadas ao trabalho, enquanto 395 milhões sofrem acidentes não fatais anualmente.
No Brasil, o cenário também preocupa. O país registrou recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025, com 806 mil casos e 3.644 óbitos.
Entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que mede o impacto permanente de lesões graves e óbitos na vida dos trabalhadores.
O levantamento foi elaborado com base nas Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no eSocial, que reúnem dados oficiais sobre acidentes e doenças relacionadas ao trabalho no país.
Setor público é o mais atingido
Os dados mostram que o setor público é o mais vulnerável. A maioria dos acidentes registrados na última década (2016-2025) foram em hospitais, com mais de 500 mil acidentes e 221 mortes. Já a administração pública ocupa a 3ª posição em número de acidentes de trabalho, com 177.078 acidentes e 596 mortes.
Além disso, novas formas de adoecimento vêm ganhando destaque, como os transtornos mentais relacionados ao trabalho, que já apresentam forte crescimento nos afastamentos.
Diante desse cenário, o 28 de abril reforça uma verdade que não pode ser ignorada: acidentes e mortes no trabalho não são fatalidades — são, em grande parte, evitáveis.
Um exemplo recente de um caso totalmente evitável é o de uma professora que, no último dia 16, sofreu um grave acidente na escada da Escola Estadual Professora Maria Umbelina Rodrigues de Azevedo, localizada no bairro Santo Antônio da Boa Vista, em Jacareí.
Por conta das precárias condições de segurança do local, a professora caiu e teve uma fratura exposta na perna. Precisou ser socorrida para atendimento médico de urgência e passou por cirurgia para colocação de um fixador externo. Agora, aguarda a realização de uma segunda cirurgia, para implantação de uma placa.
Ou seja, um acidente causado pelas más condições que, inclusive, não se trata de um caso isolado _o local já foi palco de outros acidentes e, até agora, nada foi feito.
A professora permanece afastada e sem previsão de retorno ao trabalho.
Reafirmar a luta
Portanto, hoje é um dia para reafirmar a luta por condições dignas e seguras de trabalho; cumprimento das normas de proteção; responsabilização de empregadores e valorização da vida acima do lucro.
Mais do que lembrar cada trabalhador e trabalhadora que se acidentou e, em casos mais graves, perdeu a vida, é um dever de todos nós trabalharmos para transformar essa realidade com urgência.
Porque nenhum trabalhador deveria se machucar ou perder a vida para garantir seu sustento.
Morte de servidor completou 12 anos
Em dezembro de 2013, um servidor de 37 anos, pedreiro, funcionário da Secretaria de Infraestrutura, morreu soterrado quando trabalhava em uma obra de drenagem, na rodovia Geraldo Scavone.
Uma morte absurda que evidenciou a falta de segurança que os trabalhadores enfrentam todos os dias.
Em fevereiro de 2018, outro acidente grave deixou um trabalhador com sequelas permanentes. Um servidor da subprefeitura do Parque Meia Lua foi cortar um pedaço de madeira usando uma makita, em local inadequado, e acabou decepando três dedos. Após ser socorrido e levado para o hospital, o servidor passou por cirurgia para reimplante, mas perdeu os movimentos dos dedos.
“Saúde e segurança é coisa séria. Orientamos a todos que não se calem e denunciem sempre ao Sindicato se um chefe tentar impor uma condição insegura de trabalho, que possa colocar em risco a sua segurança”, alerta a presidente do STPMJ, Sueli Cruz.

