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Feminicídios registrados nas últimas horas expõem o fracasso das políticas de proteção às mulheres


O noticiário desta terça-feira (11) está marcado por uma sequência brutal de violência contra as mulheres. Nas últimas horas, pelo menos cinco mulheres foram assassinadas, em crimes que, em diferentes circunstâncias, tiveram como pano de fundo a violência praticada por companheiros ou ex-companheiros inconformados com o fim do relacionamento. Entre as vítimas, ao menos três tinham medidas protetivas contra os agressores.

Os casos escancaram uma realidade que não pode mais ser ignorada: a proteção oferecida pelo Estado não está sendo suficiente para garantir a vida das mulheres.

Na Vila Mariana, na capital paulista, Isabela, de 33 anos, foi encontrada morta após ser brutalmente agredida, no meio da rua. O suspeito foi preso em flagrante.

Em Santa Catarina, a jovem Evelyn, de apenas 19 anos, foi encontrada morta dentro da casa do namorado. O suspeito foi preso.

Em Valinhos, Eliane, de 42 anos, foi assassinada a facadas pelo marido, mesmo tendo uma medida protetiva contra ele. Após o crime, o agressor tentou tirar a própria vida, mas foi socorrido e permanecerá preso depois de receber alta hospitalar.

Em Osasco, na Grande São Paulo, Verônica, de 43 anos, foi morta com golpes de faca pelo companheiro, de 65 anos. O crime aconteceu no sábado (8), e a vítima foi encontrada caída na rua. O agressor foi preso.

Na região do Vale do Paraíba, em Pindamonhangaba, a estudante de Direito Lívia, de 23 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-namorado. Ela tinha medida protetiva contra ele. Após o crime, o agressor também tentou tirar a própria vida, foi socorrido e permanecerá preso.

Até quando?
Os cinco casos, registrados em um intervalo de poucas horas e dias, revelam a dimensão de uma violência crescente. E levantam uma pergunta que não pode mais ser adiada: de que serve uma medida protetiva se o Estado não consegue garantir que ela seja efetivamente cumprida e que a mulher em situação de risco seja protegida?

A gravidade do cenário também aparece nos números. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, 141 feminicídios foram registrados no Estado de São Paulo somente no primeiro semestre de 2026 — o maior número da série histórica iniciada em 2018 e 10% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Não podemos aceitar que uma mulher procure ajuda, denuncie o agressor, obtenha uma decisão judicial e, ainda assim, permaneça exposta à violência. Uma medida protetiva não pode ser apenas um documento: precisa representar proteção efetiva e resposta rápida do Estado diante de qualquer ameaça ou descumprimento.

Afinal, a violência não termina necessariamente com a denúncia. Em muitos casos, ela pode persistir e até se intensificar, tornando ainda mais necessária uma atuação preventiva e articulada do poder público.

“É urgente fortalecer as políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres. Isso significa garantir recursos para a rede de atendimento, assegurar que as medidas protetivas sejam efetivamente fiscalizadas e que seu descumprimento tenha resposta imediata. Mulheres que buscaram ajuda não podem ser abandonadas à própria sorte”, afirma a diretora do Sindicato, Débora Fontes.

Toda mulher tem o direito de viver sem medo, sem violência e com a certeza de que, ao pedir proteção ao Estado, será de fato protegida.

Chega de feminicídio!

Parem de nos matar!

Isabela, Evelyn, Eliane, Verônica e Lívia, presentes!

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