A luta histórica pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho entrou em uma fase decisiva no Congresso Nacional. A leitura do relatório da proposta, inicialmente prevista para esta quarta-feira (20), foi adiada para a próxima segunda-feira (25), evidenciando o impasse entre o governo federal e a oposição na Câmara dos Deputados. Ainda não se sabe se esse adiamento altera também a data da votação do projeto no plenário, prevista para o dia 27 (quarta-feira).
O relator da proposta disse precisar de mais tempo para concluir ajustes no texto final. Entre os principais pontos de divergência está justamente o período de transição para a nova jornada. Um absurdo!
O adiamento só aumenta a angústia e a expectativa de milhões de trabalhadores que aguardam a aprovação urgente de uma jornada mais humana, com mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida.
Direita e Centrão apresentam 176 emendas
Com o crescimento da pressão popular e da mobilização sindical, deputados da direita e do Centrão intensificaram os ataques à proposta. Um grupo de 176 parlamentares apresentou emendas que, na prática, desfiguram completamente o projeto original de redução da jornada para 36 horas semanais sem redução salarial e o fim da escala 6×1.
Entre os articuladores das mudanças estão nomes conhecidos da extrema direita, que tentam convencer a população de que garantir descanso digno aos trabalhadores seria uma medida “eleitoreira”. Ao mesmo tempo, defendem que a implementação da nova jornada ocorra apenas até 2036.
Na prática, a chamada “transição de 10 anos” significa condenar milhões de trabalhadores a mais uma década de jornadas exaustivas, desgaste físico e mental e perda da convivência familiar.
Propostas dão brecha para mais precarização
As emendas apresentadas pela oposição são consideradas gravíssimas pelo movimento sindical. Além de tentar manter a escala 6×1 em setores classificados como “essenciais”, o texto abre brecha para jornadas de até 52 horas semanais por meio de acordos individuais ou coletivos.
As propostas também incluem a redução do recolhimento do FGTS de 8% para 4%, além de desonerações para empresas e até utilização de recursos públicos do FAT para subsidiar empregadores.
Ou seja: enquanto trabalhadores enfrentam adoecimento, baixos salários e sobrecarga, setores da oposição atuam para ampliar privilégios empresariais e preservar um modelo baseado na superexploração da mão de obra.
Luta histórica
O fim da escala 6×1 não nasceu de conveniência política, mas da pressão social, da organização sindical e da indignação de milhões de trabalhadores diante de uma rotina que impede qualquer equilíbrio entre trabalho, descanso e vida pessoal.
O apoio crescente da população à redução da jornada demonstra que essa pauta responde a uma necessidade concreta da classe trabalhadora brasileira.
Ao longo da história, os mesmos setores conservadores também se posicionaram contra direitos hoje considerados fundamentais, como férias remuneradas, 13º salário e limitação da jornada de trabalho. Nenhuma dessas conquistas destruiu a economia. Pelo contrário: direitos trabalhistas significam mais dignidade, saúde, produtividade e desenvolvimento social.
É hora de mobilização
O momento exige mobilização e pressão sobre o Congresso Nacional para impedir retrocessos e garantir que a redução da jornada avance sem armadilhas, sem retirada de direitos e sem adiamentos intermináveis.
“O trabalhador brasileiro não pode esperar mais dez anos para conquistar condições dignas de trabalho e de vida. Afinal, a luta pelo fim da escala 6×1 é, acima de tudo, uma luta por saúde, dignidade e pelo direito de viver além do trabalho”, disse a presidente do Sindicato, Sueli Cruz.

