Está valendo, a partir desta terça-feira (26), a atualização da NR1, que representa um passo importante na proteção da saúde mental dos trabalhadores brasileiros.
O que muda, na prática, é que a NR-1 determina que, a partir de agora, empresas e empregadores sejam responsabilizados caso não atuem no combate a ambientes insalubres de trabalho, que impactam a saúde mental dos trabalhadores, como o assédio moral, metas abusivas, jornadas exaustivas e sobrecarga mental. Problemas que têm provocado um número cada vez maior de afastamentos por adoecimento mental.
A medida chega em um momento necessário, já que casos de ansiedade, depressão e esgotamento profissional relacionados ao ambiente de trabalho têm se tornado cada vez mais frequentes.
Dados assustam
Segundo dados do Ministério da Previdência Social, os afastamentos do trabalho por transtornos mentais atingiram, em 2025, o maior patamar histórico. Somente em 2025, foram registrados 546.254 afastamentos do trabalho por questões de saúde mental. Isso representa um aumento de 15% em relação ao ano anterior.
A maior parte desses afastamentos está concentrada em dois diagnósticos: ansiedade e depressão. Os transtornos ansiosos lideram o ranking, com 166.489 licenças concedidas em 2025, seguidos pelos episódios depressivos, que somaram 126.608 afastamentos.
Na Prefeitura de Jacareí, por exemplo, já é observado um crescimento significativo no número de servidores afastados por questões ligadas à saúde mental, reflexo das condições de pressão, assédio e até mesmo agressões sofridas no ambiente de trabalho, sem que a administração tome providências para proteger os trabalhadores, apesar das repetidas e insistentes cobranças do Sindicato.
Fiscalização é fundamental
Apesar da importância da nova regulamentação, especialistas alertam que apenas a existência da norma não é suficiente. Sem fiscalização rigorosa e responsabilização das empresas que desrespeitam as regras, muitos trabalhadores continuarão adoecendo.
“A NR-1 é uma importante ferramenta de defesa do trabalhador mas, para que ela realmente saia do papel, é necessário fiscalização efetiva. Ou seja, ter uma CIPA combativa, atenta às condições de trabalho e ao combate ao assédio moral dentro dos locais de trabalho, nunca foi tão necessário. Apenas ambientes seguros, respeitosos e saudáveis podem evitar o adoecimento físico e mental dos trabalhadores”, disse a presidente do Sindicato, Sueli Cruz.
Diante disso, ela alerta para a importância da participação dos trabalhadores nas próximas eleições da CIPA, que acontecem em junho. “É fundamental elegermos representantes comprometidos de verdade com os trabalhadores, que tenham coragem de denunciar abusos, cobrar, defender condições dignas de trabalho e fiscalizar o cumprimento integral à NR1 em todos os setores da Prefeitura. E contem com o Sindicato nesse trabalho”, disse.

